sábado, 23 de janeiro de 2016

2015 em revista - Eventos

Qualquer altura é boa para analisar o caminho percorrido e pensar em mudanças, inovações, ajustes, novos projetos ou simplesmente aplicar fórmulas que mostraram sucesso. Porque 2016 está apenas a iniciar, proponho-me destacar o que de maior impacto se fez em 2015.

2015 foi um ano marcado por eventos, realizações, inovações e novos projetos, que marcaram a Vila e lhe deram forte presença mediática. De forma necessáriamente sucinta, destaco a Super especial do Rali, o Moda Camacha e o ART'Camacha.


Super especial do Rali na Camacha
Longe vão os anos do "nosso Rali", mas a aposta no regresso da "Super-Especial" foi importante, tanto mais que, acompanhada pela inovação no trajeto, trouxe a emoção ao coração da Vila!

O fluxo de público beneficiou, desde logo, o comércio local, gerando receitas fundamentais para um setor em dificuldades. Mas, além do imediatismo, este número expressivo de visitantes foi também oportunidade para promover as diversas ofertas da Vila. Com preparação e qualidade, o impacto é positivo e direto.

Nota de destaque para as festas promovidas pelos bares, com o Bilha e o Casimiro a apostarem em animação DJ, o que permitiu ao muito público permanecer na Vila depois da prova.

Esta foi uma aposta ganha, muito pelo empenho do Presidente da Junta de Freguesia, que tem tudo para ser repetida este ano, previsivelmente no sábado do Rali, dada a rotatividade estabelecida entre as "sedes" da prova (Camacha, Santa Cruz e Machico).

Como em tudo, há sempre espaço para melhorar, nomeadamente avaliando, se este trajeto não teria maior emoção e capacidade de atração de público, sem a subida do Caminho da Madeira e com uma dupla volta à Achada, além de algumas questões pontuais de segurança, algo que a organização faz sempre e bem.


Moda Camacha
O evento foi criado pelo estilista Tiago Gonçalves, e teve a primeira edição no Camacha Shopping. Em 2015, a Câmara Municipal e Junta de Freguesia lançaram o desafio de se trazer o evento para a rua, para o centro da Vila, se possível ao ar livre, integrando a celebração dos 500 anos de Santa Cruz.

A festa de lançamento, na Tasca "O Casimiro", foi o primeiro momento de sucesso. Uma noite de glamour, com desfile e performance das modelos do estilista, e a presença de muita gente, e um ambiente muito agradável, num espaço cuidadosamente decorado.

Quanto ao evento em si, o espaço escolhido foi o largo da Achada, com o apoio "O Casimiro", onde, porque a data aconselhava prudência, e em acordo com as Autarquias locais, foi feita a montagem de uma tenda, dentro da qual se ergueu o palco e toda a passadeira.

O desafio era exigente, mas a qualidade do trabalho do estilista, colaboradores e colegas convidados, resultou em sucesso, com muito mediatismo e impacto positivo na imprensa, sempre com o nome "Camacha" acopolado, o que diz bem da promoção resultante para a Vila.

Infelizmente, não faltaram críticas inusitadas com argumentos descabidos, atacando a montagem da tenda, a obrigatoriedade de bilhete pago para o dia e o condicionamento no acesso ao WC público do Largo da Achada, ainda que limitado a meia dúzia de horas. Um evento com esta grandeza não merecia.

Lamentável, sobremodo, a falta de apoio e cooperação camarária. Sendo um evento dos 500 anos, a comparticipação financeira era justa e lógica, mas apenas, e uma vez mais, a Junta de Freguesia esteve na linha da frente. Os custos foram repartidos entre o organizador, a Junta de Freguesia e o patrocinador "O Casimiro".


ART'Camacha
Não é novidade, este Festival de Cultura é o ponto alto do ano na Vila da Camacha. Ao longo dos anos tem sofrido ajustes diversos, inovações, e crescentes dificuldades.

Este 2015 a "Eira da Elsa" foi a grande inovação, tornando o espaço, onde a Cristiana Sousa instalou o projeto "Cúpula", num fantástico local de concertos, intimistas e de qualidade enorme! Uma aposta ganha, com o contributo do Higino, que planeou o alinhamento dos concertos.

Também inovação, fizeram-se workshop dedicados ao vime e ao folclore.

No caso do vime, o artesão local, Alcino Góis, proporcionou a experiência de fazer um pequeno cesto, com os interessados a terem um contacto prático com esta arte.

No caso do Folclore, foi possível experimentar jogos de roda com Grupo do Rochão e dançar com os grupos de fora da Madeira, participantes no Festival.

No palco principal, o vasto e eclético programa, manteve o nível elevado de qualidade, com vários pontos altos, como a Festival de Folclore, a noite do Teatro, a noite dedicada ao rock e o desfile do Tiago Gonçalves.

Portanto, num cenário de dificuldades financeiras e sem apoio financeiro da Câmara, sendo, uma vez mais, a Junta de Freguesia a entidade que mais apoio dedicou a um evento desta grandeza, foi com enorme esforço da direção da Casa do Povo, dos seus colaboradores e dos grupos e artistas envolvidos, que se fez um Festival cada vez mais apostado em inovar, apostando na interação com o público e primando pela cultura.

Investimento social é proporcionar crescimento cultural
A Capital da Cultura da Madeira merece apoio ao nível da capacidade que, continuamente, comprova ter para dinamizar e organizar.

Instituições, grupos e artistas, fazem muito com pouco, pelo que é urgente acarinhar e apoiar concretamente, quer ao nível governamental, quer, especificamente, ao nível autárquico.

Eventos que impulsionam a economia local, que dinamizam a imagem da Freguesia, que apostam na cultura, desporto ou mesmo entretenimento de qualidade, merecem esse apoio.

Apoiar acontecimentos com estas valências é, também, investimento social, pelo impulso descrito acima e, mais ainda, por proporcionar a toda a população, momentos de diversão, de aculturação e de atividade, de convívio, de festa, com impacto positivo na sua auto estima, algo intrinsecamente ligado à capacidade produtiva.

Apostar na dinâmica da Camacha, não é gasto, é investimento merecido!

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